Blog dedicado à unidade curricular de Jornalismo Televisivo da Universidade Lusófona do Porto

Quarta-feira, 04 de Abril de 2018

Texto Pivô: É na Serra da Cabreira, freguesia de Bucos, que 10 mulheres se juntam para manter viva a arte de tecer lã à mão. O convívio é a chave para se manter a tradição. 

Voz off 1: As mulheres de Bucos, como são conhecidas, arrepiaram caminho e abandonaram as lides agriculas e domésticas, para passar a ser o trabalho da lã a sua atividade de sustento.

Entrevistado 1: A Câmara resolveu juntar estas mulheres cá na freguesia para não deixar morrer isto.

Entrevistado 2: E cá estamos nós, uma vez, duas vezes por semana, às vezes três. É conforme as encomendas que a gente tiver.

Voz off 2: Mantém-se agora a tradição de um ofício que todas aprenderam ainda em crianças.

Entrevistado 1: Trabalhei nisto desde pequena, pronto. Deitavamos mantas, cobertores, faziamos meias...

Entrevistado 3: Eu era pequena e gostava, já tinha tendência. Às vezes pegava na roca da minha mae e ela dizia-me ''tu estragas-me a lã''. Não trabalhavamos para vender, mas trabalhávamos para ter em casa.

Voz off 3: Agora, os produtos são vendidos e têm a assinatura da estilista Helena Cardoso.

Entrevistado 1: Agora temos desenvolvido muito com a ajuda da D.Helena.

Entrevistado 2: Ela é que trouxe esta força toda e este desenvolvimento.

Entrevistado 4: Invovou-se muito. Faz-se coisas que já têm outra atração.

Voz off 4: Também a estilista valoriza o trabalho das mulheres de Bucos e reconhece que existe uma partilha de conhecimento entre todas.

Entrevistado 5: Há aquele elo eu da cidade, elas do campo. Eu sempre trago novidades, levo coisas. Sou esse veículo de trazer novidades, falar de coisas que se calhar elas não falariam: falar de política, falar de teatro, falar de cinema, falar da beleza das mulheres, tratamento de pele...Coisas que, de facto, esse mundo aqui é raro.

Voz off 5: Mas se o que aqui aprenderam foi importante, mais importante ainda foram os laços de amizade que aqui se criaram.

Entrevistado 1: Os dias que a gente para aqui não vem já estranha de não estarmos juntas umas com as outras.

Entrevistado 3: A gente podia se ver lá uma vez por outra mas não é como agora.

Entrevistado 4: Nós já nos conheciamos todas, que nós somos todas vizinhas. Mas agora a gente tem uma amizade umas às outras que não tem ao resto da freguesia.

Entrevistado 6: Elas se não viessem para aqui estavam em casa sozinhas. Elas mesmo dizem que só se viam ao domingo na missa. Entretanto, aqui já se veêm todos os dias, já conversam, já organizam almoços para se juntarem.

Voz off 6: O convívio é assim um motivo para se manter viva uma tradição, que é já um oficio para poucos em Portugal.

 

publicado por Bárbara Dixe Ramos às 14:54

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