Texto Pivot:
Tem-se registado um notável desenvolvimento tecnológico e a pesca não fica na popa desse desenvolvimento, especialmente no que toca à comunicação.
Entrevistado 1: Tinhas de mandar aos pilotos e os pilotos às vezes é que comunicava, o mandão de tudo de nós saber uma doença que tinha era pelos poderes ou a morte era pelos padres depois em casa.
Entrevistado 2: Agora estamos no mar e a qualquer momento pegamos no telemóvel e liga para a família, que pescamos que regressamos para o Porto a x horas. Há contacto a qualquer momento. Agora é diferente, mas antigamente a mínima coisa que podia apanhar para ter uma comunicação era através disso. Era com amigos ou então fazer uma carta e depois de um mês e meio ou dois meses é que se sabia notícias, era assim. Agora não, não preciso de nada disso. Agora, a qualquer momento estás a falar com a tua família, basta apanhar rede e falas logo com a família. Felizmente, já quando fui para fora, a primeira vez que embarquei para o estrangeiro já havia esses meios de informação. Já não tinha aquele problema de a família estar preocupada. Tenho sempre comunicação com eles.
Entrevistado 1: Não tinha mais como falar com ninguém. Depois queria ia-me embora, só a chegar a casa é que estava o corpo presente. Já no estrangeiro já comunicava, ia ao telefone “botava” aquelas moedas, na Alemanha ou Australia ou Singapura “botava”
Aquelas moedas e comunicava, agora e meio mais fácil é tudo plástico. Agora sabes onde estás. Hoje é muito melhor que antes. Hoje a mulher sabe onde está o homem e o homem sabe onde está a mulher. E os filhos sabem onde está a mãe ou o pai, tudo á base do aparelho. Eu não tinha nada disso.Assusta-me um bocado. Hoje se fores ao telemóvel e dizer o nome do barco onde está o meu filho em França, eu sei onde está o barco, está na Irlanda do Norte a trabalhar. Será para bem, saber demais o aparelho? Mas é o homem que faz isso.

