Texto Pivô: O Espaço Mira acolhe a exposição de Mariana Paiva. O trabalho desta artista coimbrã regressa ao Porto, desta vez com um total de 6 peças videográficas que convidam o observador a ingressar numa viagem e a pensar na dicotomia Familiaridade e Desconhecido.
Esta exposição, curada por José Maia e João Teres, mantém-se até dia 4 de março.
Entrevistada: A Margarida Paiva tem uma certa ligação já com o Espaço Mira, porque já mesmo antes das obras nestes armazéns começarem, isto ainda estava em ruínas e precisamente o José Maia organizou nas ruínas uma exposição em que se expunha pintura, ilustração, arquitetura e havia o filme da Margarida Paiva e portanto ficou-nos sempre na retina a imagem espantosa do trabalho dela. Portanto, isto é, por assim dizer, um regresso.
Tem sido uma exposição em que as pessoas têm balanceado entre o reconhecimento de uma familiaridade mas ao mesmo tempo uma certa inquietação. A maneira como esta exposição habita aquele espaço é uma maneira diferente. Aqueles diversos planos. Aquele percurso. Há um itinerário, por assim dizer. Um itinerário que não está prescrito pela autora. É tentar perceber o que é que inquieta as pessoas, o que é que as faz parar? Isto é, ao trabalho da Margarida há a maneira como cada visitante usufrui, que já é uma interpretação, já é uma representação deste trabalho e depois quem está a ver. Como é que as pessoas estão a ver ? Teremos ainda outra interpretação. E são estas camadas todas que o trabalho da Margarida produz e propõe.
É uma obra que é múltipla mas que cada uma daquelas paragens conta alguma coisa que interfere com alguém que está a ver. É precisamente permitir essa diversidade de abordagens e que vão levar para casa a imagem que mais o tocou e a obra de arte tem essa coisa extraordinária de ser um estimulo para múltiplas reflexões e múltiplas especulação e portanto, nesse caso está uma exposição altamente bem conseguida.

