Blog dedicado à unidade curricular de Jornalismo Televisivo da Universidade Lusófona do Porto

Terça-feira, 23 de Maio de 2017

Texto-Pivô: "Muitos são chamados e poucos os escolhidos", é assim que Licínio Braga justifica a saída do seminário. De Braga para o Porto, conta-nos o conflito que viveu entre a vida religiosa e a sexualidade de um jovem de 17 anos. 

 

Entrevistado 1: Sou o Licínio Moreira Braga, faço 70 anos no dia 30 de abril deste ano. Fui empregado de escritório durante 50 anos. Estou reformado nesta altura. Menino e moço, com 11 anos e meio, antigamente as crianças diziam "um queria ir para polícia, outro para bombeiro, outro para não sei quê, outro para não sei quê". Eu disse que queria ir para padre, sem ter referências nenhumas da família, alguém que tivesse envergado por essa vida. Feitos os meus 11 anos, no dia 30 de abril de 1958, em novembro, fui parar ao convento de S. Francisco da portela, em Leiria. Para frequentar o 1º  ano. Ao fim do 1º ano, em que quando o meu pai virou costas e me deixou ficar, chorei muito, com muitas saudades e tive muitas saudades dos meus pais. Mas lá me fui habituando. Feito o primeiro ano em leiria, vim para montariol, Braga. Foi onde fiz o 2º, 3º, 4º e 5º. Ao fim desses anos, com altos e baixos mas nunca a nível académico porque passei sempre pois é preciso saber. As pessoas têm o conceito que ir para o seminário que é para, entre aspas, apanhar os estudos e depois desistir e vir cá para fora. É falso porque eu pagava. De 3 em 3 meses, o meu pai pagava uma determinada verba. Apaixonei-me por aquela vida durante aquilo tempo. Claro, vai-me dizer e é onde querem chegar: porque desistiu? Porque com 11 anos não há, certamente, os problemas de sexualidade. Educam-nos também para a vida cá fora, diziam-nos sempre: mais vale ser um bom chefe de família do que um mau padre. Muitos são chamados e poucos os escolhidos, esta fase é bíblica. Porque ao chegar a esta fase, é muito penoso para nós, para quem tomar a decisão de desistir, é muito penoso. Porque mandou-se a fotografia para a maezinha e a avozinha, todos contentes "olha o meu filho vai ser padre". Depois há a luta interior dentro de cada um de nós. Dou este desgosto porque para os meus pais era um desgosto eu desistir. Dou este desgosto ou continuo embora correndo o risco, sabendo que pela minha natureza e a minha maneira de ser que serei um fracassado? Temos de fazer uma opção. Eu optei exactamente por essa frase, mais vale ser um bom chefe de família, continuando com os ideais de Francisco de assis, de S. Francisco. Tenho saudades. De certas coisas, principalmente, devo dizer... Do Natal Franciscano.

 

 

Maria Inês Moreira e Maria Inês Pinho

 

publicado por Maria Inês Moreira às 23:32

Andreia Resende e Sara Oliveira

 

Texto-pivô: O cancro é uma doença que afeta cada vez mais os jovens em Portugal. No meio de desistências há ainda quem lute para sobreviver. É o caso de Gabriel Marques.

 Vivo Entrevistado: O meu nome é Gabriel Marques, tenho 16 anos e aos 13 anos de idade foi-me diagnosticado um Linfoma de Burkitt. Veio do laboratório o tumor e disseram que era maligno. O que tinha originado as dores era uma invaginação que ocorre, mais frequentemente, nas crianças de 3/4 anos. É quando o intestino delgado entrelaça no grosso e depois a comida que nós ingerimos e que chega ali não passa e origina as dores. A médica veio ter comigo ao quarto e aí também foi um impacto muito grande. Porque a médica sentou-me a mim e à minha mãe, e isto tudo com 13 anos, e disse "pronto Gabriel, tu tens um cancro, vais ficar aqui quatro meses no mínimo e vamos ver se sobrevives ou não". 24 sob 24 horas sobre a quimioterapia mais agressiva do hospital, segundo os médicos. Abandonei a escola, tive que sair da escola. Não tive nenhum apoio por parte do meu pai. Para mim foi terrível, mas também passei bem porque a minha mãe esteve lá comigo 24 sob 24 horas, tinha lá vestuários para tomar banho. Tomava lá banho, apesar de não ser tão higiénico, mas esteve sempre lá comigo e devo-lhe a vida por isso. É uma super mãe para mim. 

Como eu gosto muito de desportos, tentava falar com agentes para proporcionar alguns momentos lá na pediatria, não só a mim mas também ao resto das crianças e algumas das pessoas que foram lá, celebridades foram o Helton e o Maicon, que na altura jogavam no FC Porto. Só o facto de terem ido lá ao hospital... foram coisas mínimas para eles e insignificantes/banais, mas só o facto de estar ali meia hora a conversar com pessoas que se destacam mais, as celebridades, faz toda a diferença. Tive também o apoio da minha cidade onde nasci, em Ovar.

Deixo aqui um apelo a quem passar por isso. Nunca pensar negativo, pensar sempre positivo e pensar que a vida é um jogo. Temos o início, quando nascemos, até morrermos que é o nosso objetivo. E no fim, se não tivermos objetivos/obstáculos, acho não vale a pena e torna-se banal estarmos aqui à face da Terra".

publicado por Sara oliveira às 18:25

Texto Pivô: António Nogueira esteve na guerra colonial de Moçambique durante 4 anos. Sempre optou por fugir aos confrontos. Hoje tem uma quinta que o faz adquiri a liberdade que antes lhe foi retirada.

 

 

Off 1: É aqui que António Nogueira apaga as memórias do passado. Foram 4 anos de muitos tormentos até conseguir fugir.

Vivo 1: Havia assim umas desordens, assim uns ataques mais violentos que eles pegavam na cabeça do preto, espetavam à frente da “merlié” e era contra o meu feitio.

Um colega meu quando íamos de “unimogue”, ele puxou de uma arma e matou um macaco pequenininho e ele chorava como um bébé. Esse ficou lá, morreu também como um bébé.

A única coisa que eu fazia era quando havia um tiroteio, pegava na minha arma e num cobertor e escondia-me debaixo do abrigo.

Off 2: O ano de 1970 marcou para sempre a vida deste senhor. Agora é a vida no campo que lhe trás a liberdade que nunca teve.

Vivo 2: Depois da guerra vim para aqui entreter-me.

Cultivo tomates, pimentos e diversos…morangos, framboesas por aí abaixo, repolho, feijãp, ervilhas de quebrar, ervilhas das outras…

Vivo jornalista: E é assim a vida após a guerra colonial. Há que agarrar novas oportunidades e agarrar novos desafios. Ficamos hoje por aqui a conhecer o resto da quinta. Com imagem de Rita Silva, Universidade Lusófona do Porto.

publicado por Filipa Coelho às 15:56

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